O espaço (e a falta de criatividade) entre nós

O Espaço Entre Nós (The Space Between Us) é o mais recente filme de Peter Chelsom, estrelado por Asa Butterfield. Ele estreou no final de março aqui no Brasil. Fui assistir toda empolgada – adoro filmes de romance adolescente -, e sai decepcionada. O longa que tinha tudo para ser criativo e envolvente, acabou sendo mais um do mesmo. E de um jeito bem ruim.

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O pôster bonitinho, a sinopse e o trailer que prometiam uma história que misturaria ficção científica com romance, foram o que me chamaram atenção e me deixaram interessada por esse filme. Afinal, não é todo dia que temos produções que falem de um menino que nasceu em Marte e se apaixonou por uma garota na Terra.

É assim que a história começa, um grupo de astronautas vai realizar uma missão para começar o povoamento em Marte. Porém, a capitã está grávida e dá a luz em gravidade zero. A mãe acaba morrendo no parto e esse bebê que se desenvolveu em condições diferentes das que temos no Planeta Azul não sobreviveria por muito tempo no nosso solo, então temos a primeira criança marciana.

Gardner passa seus primeiros dezesseis anos na estação de Marte com um amigo robô, rodeado por cientistas. Mas graças a internet (extremamente maravilhosa e potente do filme), ele conhece Tulsa, uma adolescente comum que tem dilemas com a família, poucos amigos e sonha em sair de sua cidade.

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O que mais me decepcionou nesse filme, foi o potencial que eles tinham. A história tinha tudo para ser diferente e unir ficção científica, tecnologia, romance, buscas pessoais e um pouco de drama de uma maneira leve e divertida. Porém a parte espacial se passa em apenas uns dez minutos de filme, sem explorar muito a condição do Gardner ter sido a única criança do planeta, sem amigos da mesma idade e sem os pais. Ter visto ele crescendo e se relacionando com os cientistas teria sido interessante e aumentaria nossa empatia com o personagem.

Depois de uma parte super rápida no Planeta Vermelho, vemos Gardner chegando à Terra e fugindo da instalação do governo onde estava em observação e indo encontrar sua amiga Tulsa. Uma coisa que me incomodou muito, foi o quão inconsistente é o personagem principal. Durante o começo da história, o vemos como um adolescente inteligente, que aprendeu muito sobre mecânica, informática e tecnologia no geral, afinal ele morava no espaço e sempre teve pessoas muito inteligentes ao seu lado, mas assim que ele põe os pés na Terra ele fica instantaneamente bobo e até um pouco infantil. Entendo que ele está admirando o novo planeta e descobrindo coisas novas a cada momento, mas não é como se ele nunca tivesse ouvido falar da vida aqui, ou visto imagens, vídeos e até filmes.

A outra personagem principal, interpretada por Britt Robertson não é carismática, e acaba se passando por chata as vezes. Ela deveria ser uma menina forte, que não leva desaforo para casa e sabe se virar, mas é extremamente exagerado. Vemos uma menina de 16 anos que sabe como dirigir carros, motos e até aviões! Ela ainda rouba e engana pessoas, tudo tentando passar uma imagem de badass (só que não, queridinha).

Além dos dois, temos os personagens adultos – os “responsáveis” de Gardner – que passam quase duas horas perseguindo os adolescentes, pois o corpo do menino pode não aguentar a gravidade e o ar da Terra.

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No final, temos um filme cheio de clichês, onde a garota precisa colocar um vestido para ser vista como alguém que merece amor e outros que não vou mencionar para não estragar sua experiência (se você for querer assistir). Eu realmente fiquei muito chateada com essa produção, odiei ver todo o potencial ser jogado fora – até o dos atores (temos o Gary Oldman) -, para fazer algo fácil e que pressupostamente agrada o público mais jovem.

Não sei vocês, mas para mim até uma história simples ou “boba” tem que ter uma direção, um sentido, tem que me mostrar o porquê estou assistindo aquilo, mesmo que a resposta seja: “só para se divertir”. Não me diverti com O Espaço Entre Nós, na verdade, as duas horas demoraram bastante para passar.

Ah, e ainda tem um “plot twist” no final que estava na cara desde os primeiros minutos de filme. Por favor, me ajudem.

Nota:

2 asas

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